20 de janeiro de 2011

Destino existe? - (Parte 2)

Consequências imediatas
De tais premissas seguem-se conclusões importantes :
1) Os despachos e trabalhos das religiões afro-brasileiras nada podem fazer contra quem quer que seja; carecem de eficácia ou de força mágica. Verdade é que vários fiéis católicos se afligem, porque sabem que alguém ou algum adversário está fazendo despachos contra essas pessoas, e vão procurar a Igreja para pedir um exorcismo. Há também quem se julgue desgraçado por causa de um "trabalho" de Umbanda e vá solicitar um exorcismo na Igreja. Ora tal pensar e agir é errôneo; não existem exus e orixás, de modo que são totalmente ineficazes as oferendas de galinha preta, farofa, cachaça, charutos (...), que se lhes façam; nenhuma entidade do além acode a essas oferendas. O demônio, que a Escritura e a fé católica reconhece, não é exu nem orixá; é um anjo que Deus criou bom e que se perverteu pelo pecado de soberba; recebe agora a autorização de Deus para tentar o homem e levá-lo ao pecado, se a pessoa tentada consentir nas sugestões do Maligno; o que Satanás quer, é o pecado; não lhe importam a galinha preta, a farofa, a cachaça e os charutos oferecidos aos pretensos orixás. Por conseguinte, nenhum despacho de macumba causa desemprego, destruição de casamento, doença (...), a não ser que a pessoa alvejada pelo despacho creia que este é eficaz; se o crê, sugestiona-se, julga-se condenada a um infortúnio e, insegura, pode-se precipitar numa desgraça ou deixar-se envolver num acidente; em tal caso, a eficácia não é do despacho, mas da sugestão (...) sugestão que a pessoa concebe por imaginar que o despacho é eficaz.
2) Nenhum objeto de superstição faz bem ou mal a alguém. Daí se segue que o cristão não dá crédito a figas, bentinhos, amuletos ... Estes podem desencadear a sugestão, sim, que é eficaz, como dito, mas eficaz por causa de uma atitude subjetiva, sem fundamento objetivo ou real.
3) O cristão não crê em horóscopo, como se os astros definissem o futuro do homem. Verdade é que, desde épocas antigas, os homens imaginaram estar sujeitos ao poder dos astros, tão belos e pujantes parecem. Os antigos escritores da Igreja relutaram contra tal concepção, remanescentes entre os fiéis cristãos. Podem os astros, em alguns casos, influir sobre o físico e o psíquico do homem, causando reações psicossomáticas (melancolia, júbilo, depressão ...), o que não significa traçar o futuro do homem.
4) O cristão também não crê em cadeias de oração, ou seja, em preces que é preciso copiar umas tantas vezes e passar adiante sob pena de sofrer alguma desgraça, caso não o faça, ou com a perspectiva de receber algum benefício, desde que o execute. Não há fundamento algum para crer no valor de tais correntes de oração; vêm a ser uma contratação da verdadeira oração, esta é um recurso filial a Deus, que vale pela fé, o amor e a humildade com que a criatura reza ao Pai do céu.
5) O cristão também não aceita a "mística dos números", segundo a qual alguns números são portadores de boa sorte e outros são de mau agouro. Nem o número 13 é mau, nem o número 666 ... Ver Curso sobre Ocultismo da Escola Mater Ecclesiae, Módulo 20.
6) Em suma, o cristão não crê que as coisas acontecem porque Deus as decretou cegamente, sufocando a liberdade do homem. Deus sabe tudo o que acontecerá no futuro, pois Ele nada pode ignorar. É de notar, porém, que preciência não é predefinição ditatorial; Deus prevê que os homens livremente farão tais e tais coisas; paralelamente alguém, a partir de uma janela, pode prever que dois carros se chocarão entre si; pode ter certeza disto, sem ser causa do desastre.
O Cristianismo repudia o Fato ou o Destino, conceito mitológico, e, em seu lugar, professa a Providência Divina.
A PROVIDÊNCIA DIVINA
A Providência Divina se define como a ação pela qual Deus se dispõe a levar todas as criaturas para o seu fim devido; Deus não abandona a criatura depois de lhe ter dado existência, mas, tendo-a criado em vista de uma finalidade sábia e grandiosa, provê aos meios para que cada criatura possa atingir a sua meta (sem destruição da liberdade de arbítrio, no caso das criaturas intelectivas); essa meta é a manifestação da bondade, da sabedoria e da santidade de Deus.
A S. Escritura acentua essa ação providencial de Deus em muitas passagens; é Ele quem dá a chuva, os frutos e o alimento no momento oportuno (Jr 5,24; Dt 11,45s; Sl 144,15); é Ele quem dá o dia, a noite, as estações (Sl 73 (74), 16s; 135 (136), 8s); aos pássaros do céu e aos lírios do campo Ele fornece o sustento necessário (cf. Mt 6, 25-34; Lc 12, 22-31). Especialmente para com o homem é solícito, de tal modo que todos os cabelos da sua cabeça estão contados (cf. Mt 10, 29-31).
A Providência Divina, por abarcar toda a história da humanidade, vê mais amplamente do que a mesquinha mente humana. Por isto Ela nem sempre coincide com o modo de pensar da criatura. Há mesmo os silêncios de Deus ou os momentos em que Ele parece ausente da história dos homens; todavia a Escritura mostra como também essas fases obscuras são acompanhadas pela Sabedoria Divina; é o que vem à baila muito claramente na história do Patriarca vendido a estrangeiros por seus irmãos invejosos; no fim de tão trágica história diz José: "Eu sou José, vosso irmão, que vendestes para o Egito. Mas agora não vos entristeçais nem vos aflijais por me terdes vendido, porque foi para preservar vossa vida que Deus me enviou diante de vós ... Não fostes vós que me enviastes para cá, mas Deus, e Ele me estabeleceu como pai para o Faraó, como governador de todas as regiões do Egito" (Gn 45,4s, 7s). Os livros de Rute, Judite, Ester, Daniel ... são outrossim eloqüentes testemunhos da ação providencial de Deus em favor dos seus fiéis. Ele sabe tirar dos males bens maiores; o que, os olhos dos homens, parece desastre final. Ele o converte em ponto de partida para o derramamento de novas graças. O Novo Testamento insiste em que o cristão se deve configurar a Cristo mediante a cruz, para participar também da ressurreição; nessa trajetória ele é acompanhado pelo sábio desígnio do Pai; cf. Mt 10, 24-31. Tenha confiança filial (Rm 8, 28-32).
A propósito vem a temática da oração. Esta, não raro, é tida como instrumento apto a dobrar a vontade de Deus; nisto há um antropomorfismo. A vontade de Deus é imutável. - Então qual o papel da oração, que o Senhor Jesus tanto recomendou ? Cf. Lc 11, 9-13. Ei-lo: desde toda a eternidade, Deus decretou dar às suas criaturas os bens de que precisam; as criaturas irracionais recebem-nos inconscientemente, o homem, porém, dotado de inteligência e vontade, deve recebê-los conscientemente. Para tanto, o orante sugere a Deus os bens que lhe parecem oportunos para que atinja a sua finalidade suprema; sugere mesmo o pão de cada dia, a saúde, o emprego ..., tudo que seja honesto e pareça condizer com a autêntica meta do homem; assim este colabora com o plano da Providência Divina, que quer dar ao homem ..., mas quer dar mediante a oração. Pela oração não é o homem que rebaixa Deus ao plano da sua sábia Providência. Assim entendida, nenhuma oração é inútil; desde que realizada em união com Cristo, que dizia: "Pai, se possível, passe este cálice; mas faça-se a tua vontade, e não a minha" (Mc 14,26), a oração encontra sempre resposta; se o Pai não nos dá aquilo que, na nossa simplicidade, lhe sugerimos, dá-nos algo de equivalente ou melhor.
Dito isto, põe-se a questão: e o mal produzido pelas criaturas recai sobre Deus? Então não seria Deus responsável pelas falhas das criaturas ? - Em resposta, lembremos que o mal não é um ser positivo, mas uma carência; é a falta de um ser que deveria existir: a cegueira é a falta de olhos, o pecado é a falta de harmonia do agir humano com o seu Fim Supremo. Ora a carência não tem causa direta; indiretamente, ela é causada pela criatura, que é capaz de agir inacabadamente. Deus não pode agir imperfeitamente.
E por que permite Deus que as criaturas exerçam suas deficiências ? Porque não as quer forçar nem violentar, Ele sabe, porém, utilizar até o mal das criaturas, para produzir bens maiores, como observa S. Agostinho: "Deus onipotente (...), sendo sumamente bom, não deixaria mal algum em sua obra, se não fosse tão poderoso e bom que pudesse tirar até do mal o bem" (...). "Ele julgou melhor tirar dos males o bem do que não permitir que mal algum viesse a existir" (Enquiridio, cap. 11 e 27).
JESUS CRISTO, O DESTINO E AS CRENDICES
Em complemento, publicamos um texto de Roger Garaudy, ex-comunista que se aproximou do Cristianismo, e, em sua fase de aproximação, escreveu a respeito de Jesus Cristo, pondo em evidência a superação dos mitos e das crendices por parte do Senhor Jesus e de sua mensagem:
PARA VOCÊ, QUEM É JESUS CRISTO ?
"Mais ou menos sob o governo de Tibério, ninguém sabe exatamente onde nem quando, alguém cujo nome nos é conhecido, dilatou os horizontes dos homens ...
Por certo, Jesus não foi nem um filósofo nem um tribuno, mas viveu de tal modo que toda a sua vida teve um significado ... Para proclamar até o fim a boa-nova, era preciso que ele mesmo, mediante a sua ressurreição, anunciasse que todos os limites, mesmo o limite supremo, a morte, foram vencidos.
Este ou aquele erudito poderá contestar todos os feitos da existência de Cristo; mas isto não altera a certeza de que ele mudou a vida. Acendeu-se um braseiro. Esta é a prova de que havia uma centelha ou uma chama que fez surgir esse braseiro.
Todas as filosofias até Cristo meditavam sobre o destino e as forças cegas que regem o homem. Jesus Cristo mostrou a loucura dessas filosofias. Ele, que foi o contrário do destino. Ele, que foi a liberdade, a criação, a vida. Ele que removeu o fatalismo da história.
Jesus Cristo realizou as promessas dos heróis e dos mártires, que lutaram pelo grande despertar da liberdade. Ele cumpriu não apenas as esperanças do profeta Isaías ou as iras de Ezequiel. Jesus libertou Prometeu das suas cadeias e Antígono dos muros de seu cárcere. Essas cadeias e esses muros eram imagens mitológicas do destino; elas caíram diante de Cristo e se pulverizaram. Todos os deuses morreram então, e o homem começou a viver. Deu-se como que um novo nascimento do homem. Olho para a cruz que é o símbolo disso tudo, e penso em todos aqueles que alargaram os braços da cruz. Penso em São João da Cruz, que, pelo fato mesmo de nada possuir, nos ensina a descobrir o tudo. Penso em karl Marx, que nos mostrou como se pode transformar o mundo. Penso em Van Gogh e em todos aqueles que nos fizeram tomar consciência de que o homem é grande demais para bastar a si mesmo.
Vós, homens da Igreja, que guardais escondida a grande esperança que Constantino nos roubou, devolvei-nos essa esperança! A vida e a morte de Cristo pertencem também a nós, a todos aqueles para quem elas têm sentido. Pertencem a nós que aprendemos de Cristo que o homem foi criado criador (...)".
Revista: "PERGUNTE E RESPONDEREMOS"
D. Estevão Bettencourt, osb
Nº 411 - Ano : 1996 - p. 343

18 de janeiro de 2011

Destino existe? - (Parte 1)

Em síntese: O Destino ou Fato era reverenciado e temido pelos mitólogos gregos pré-cristãos, que consideravam a rigidez de certas leis da natureza e a inclemência do curso da história, indomável ao homem. A filosofia platônica atenou o conceito de Destino, identificando-o com o Bem, que deve reger todas as coisas. Todavia o estoicismo restaurou o conceito sombrio de Destino, associando-o à noção de causalidade necessária: os acontecimentos da história estariam inexoravelmente encadeados entre si numa sucessão de causas e efeitos, causas e efeitos (...) - O Cristianismo rejeitou qualquer tipo de destino, força cega que governaria as sortes dos homens; reconhece, sim, a Providência Divina, sábia e santa, que acompanha o homem com bondade e amor através dos tempos. Em conseqüência, o cristão não crê em despachos, "trabalhos", horóscopo, números azarentos, amuletos (...) Jesus Cristo libertou a humanidade de toda forma de medo supersticioso, despertando nos discípulos o senso da confiança no Deus que criou o homem para o levar ao consórcio da sua bem-aventurança.
Muitas pessoas pensam em destino como força que cegamente as impele a tal ou tal desgraça; apavoram-se com isto e, apavoradas, mais se precipitam na desgraça. Há quem atribua aos astros o poder de dirigir a vida humana, definindo as sortes de cada um. Em suma, a crença no destino assume diversas modalidades que podem afligir o público, mas carecem de fundamento.
Procuraremos examinar a questão sucessivamente à luz das concepções pagãs e na ótica do Cristianismo.
O DESTINO NO MUNDO PAGÃO
Em grego, a palavra equivalente a Destino é éproméne, derivada de poro, realizar, fazer que algo chegue ao seu tempo. Também se usam os vocábulos eirmarméne, ananke e moira, sendo que moira significa parte ou partilha. O Destino seria a parte ou a partilha que é definida para cada ser humano por um poder superior. - Em latim, usa-se a palavra fatum, do verbo fari, dizer, donde fatum vem a ser "o que é dito em tom definitivo e irrevogável".
Distingamos entre Mitologia e Filosofia na Grécia antiga.
Mitologia
O Destino (moira) era personificado. Trazia seus símbolos, que significavam a sua índole de necessidade cega e força inelutável. Sobre a cabeça tinha uma coroa ornamentada com estrelas; a coroa era o indício do poder ... poder que era cego, pois ignorava as leis; daí dizer-se que o Destino era filho da Noite. Nas mãos o Destino tinha um certo, sinal de sua realeza; podia também trazer nas mãos uma urna, que continha as sortes dos seres humanos ou uma balança, na qual eram ponderadas e avaliadas a história e o curso de vida de cada ser humano. Ao lado do Destino, havia uma roda presa por uma corrente para mostrar a imutabilidade dos decretos do Destino; existia também um livro no qual esses decretos estavam redigidos desde todo o sempre e no qual os deuses iam ler os acontecimentos futuros. Debaixo dos pés do Destino, achava-se a Terra, setor que ele dominava. O Destino, em suma, podia tudo, exceto mudar os seus decretos; o que estava escrito, ficava escrito fatalmente. Jamais o Destino se arrependia. Os seus desígnios eram incompreensíveis aos humanos e até ao próprio Destino; ele pairava acima dos deuses da mitologia.
Pergunta-se: qual seria a razão pela qual os antigos chegaram a conceber uma figura tão misteriosa como responsável pelas sortes dos homens ? A pergunta é justificada, pois em nossos dias se admite que os mitos eram portadores de algum significado ou de alguma filosofia de vida. - A resposta está no fato de que o homem pagão se sentia incapaz de compreender o sentido da vida e inepto para reger suas sortes. Isto o levava a supor a ação de uma força estranha e superior atuando sobre os acontecimentos de sua existência de maneira absolutamente impenetrável.
A Filosofia Greco-romana
A Filosofia abrandou, em parte, o conceito de Destino, procurando torná-lo mais compreensível e humano. A razão foi dissipando as notas apavorantes do Destino da Mitologia, em benefício de concepções religiosas mais apuradas e lógicas.
1) Assim Pitágoras (+ 500 a.C.) e sua escola procuravam nos números e na harmonia dos números a explicação de todas as coisas. Em conseqüência, identificavam o Destino com as leis dos números e da harmonia; a matemática e a música ditavam os decretos que regem a vida dos homens.
2) Para Platão (+ 347 a.C.), a idéia do Bem absorve a do Destino. O Bem é o Princípio de todas as coisas; ele vem a ser o Destino, a força dominadora, boa e suave. Escrevia Platão no seu Timeu 29s:
"Ele (a Divindade) era bom; e aquele que era bom, não tinha modalidade alguma de inveja ou ciúme. Eis por que ele quis que todas as coisas fossem, tanto quanto possível, semelhantes a Ele mesmo. Todo aquele que, instruído por homens sábios, admite isto como razão principal da origem e da formação do universo, estará dizendo a verdade".
Até mesmo o mal tem seu lugar na harmonia do universo, segundo Platão, e concorre para o bem. É algo de necessário, como se depreende dos dizeres seguintes :
"O mal não deixará de existir, ó Teodoro; é impossível que ele deixe de existir. O bem terá sempre o seu contrário; assim o quer a necessidade (ananke). É certo que o mal nunca terá sua sede entre os deuses; mas, a natureza mortal e esta região do universo, ele as envolverá sempre" (Teeteta 176).
O perfeito não pode existir sem o mal, mas este acabará sempre por se transformar em bem; cf. República X 613; Leis IV 715s.
3) Na filosofia estóica, que começa no século IV a.C., o conceito de Destino se torna mais rigoroso e sombrio, pois é associado ao de causalidade necessária. Sim; para os estóicos, o universo está sujeito à lei dos encadeamentos necessários, que liga causas e efeitos. Toda causa tem seu efeito infalível, e este, por sua vez, se torna causa necessária para o acontecimento seguinte. Mais: toda causa procede da série de todos os acontecimentos anteriores e traz em si mesma a marca de cada um deles.
Esta teoria do Destino suscita, por sua vez, a teoria da adivinhação: com efeito, se os acontecimentos estão concatenados entre si e os posteriores se seguem necessariamente aos anteriores, está claro que quem conhece um acontecimento, pode prever todos os subseqüentes (contidos na causa como em sua matriz); assim se pode anunciar o futuro, segundo a arte da adivinhação. Esta não é privilégio da Divindade.
Em conseqüência, a oração se torna inútil. Os estóicos, em particular Sêneca, a rejeitavam, aos menos diante dos grandes acontecimentos da história, que são absolutamente inelutáveis. Acontece, porém, que a rejeição da prece (espontânea como é a todo ser humano) não foi sustentada com a mesma convicção por todos os estóicos; alguns distinguiam entre "necessidades maiores (fata maioria)" e "necessidades menores (fata minora)"; estas poderiam ser conjuradas mediante a oração.
Em suma, os estóicos se compraziam em admirar o invencível poder do Destino, que levava todos os seres ao seu termo final, fazendo do mundo uma cidade bem policiada. O Destino seria a razão (Logos) que, dispondo tudo com ordem e medida, faz do mundo inteiro uma obra de arte perfeita e bela.
Pergunta-se, porém: onde fica a liberdade de arbítrio do ser humano nesse universo tão belo? O determinismo e o fatalismo das causas encadeadas não permitem que o homem trace por si mesmo a sua linha de conduta. Esta conclusão preocupou Cícero (+ 43 a.C.), que na sua obra De Fato (Sobre o Destino) reivindicou os direitos da liberdade e preferiu a liberdade de arbítrio do homem ao cego poder do Destino.
O PENSAMENTO CRISTÃO
Observações Gerais
O pensamento cristão é essencialmente contrário à existência de qualquer força cega que empurre o homem a agir deste ou daquele modo. Entre Deus e as criaturas humanas não há semideuses nem algum ser misterioso que obrigue o homem a fazer algo. Deus criou o homem livre e deixa-lhe a liberdade de opção e ação. Nem mesmo o Maligno ou o Demônio pode coagir alguém a cometer o mal; o demônio pode sugerir o pecado, tentando a criatura humana, mas não pode forçar ao mal.1 Muito sabiamente dizia S. Agostinho que o demônio é como um cão acorrentado, que pode ladrar muito, mas só faz mal a quem se lhe chegue perto. - O mundo pagão antigo admitia o Fato ou Destino, porque tinha concepções imperfeitas a respeito da Divindade; concebia-a à semelhança do homem, o que dificultava entender o que a linguagem cristão chama "Providência Divina", da qual se dirá algo a seguir. O Fato da mitologia é figura fantasiosa ou fictícia, como também o encadeamento cego de causas e efeitos, sufocador da liberdade, é algo de irreal, decorrente do panteísmo estóico, segundo o qual o Logos divino (ou a Razão) é a própria alma do mundo, Jesus Cristo veio libertar o ser humano de todas as crendices e de todos pavores derivados da imaginação e anunciou ao homem que ele é livre, devendo responder diretamente a Deus por suas opções e atividades.
Revista: "PERGUNTE E RESPONDEREMOS"
D. Estevão Bettencourt, osb
Nº 411 - Ano : 1996 - p. 343

14 de janeiro de 2011

JOÃO PAULO II: Beatificação em 01 de Maio

O Papa João Paulo II será beatificado em 1º de maio de 2011. A data foi oficializada na manhã desta sexta-feira, 14, com a assinatura do decreto de beatificação pelo Papa Bento XVI. A cura da religiosa francesa Marie Simon-Pierre Normand do Mal de Parkinson foi o milagre reconhecido para a Beatificação. O Rito de Beatificação será presidido pelo próprio Santo Padre, na Basílica de São Pedro, no Vaticano, no II Domingo da Páscoa - conhecido como da Divina Misericórdia.Karol Wojtyla - nome de batismo de João Paulo II - foi o 264º Pontífice da Igreja Católica, o primeiro de origem eslava. Ele faleceu em 2 de abril de 2005, após mais de 25 anos como Sucessor de São Pedro.Na lista, figuram também os nomes de outros candidatos à honra dos altares através do próximo passo, que é o reconhecimento de mais um milagre para a canonização.Processo de beatificação- 28/04/2005 - Bento XVI concedeu dispensa do tempo de cinco anos de espera para o início da Causa de Beatificação e Canonização de João Paulo II. A causa foi aberta oficialmente em 28 de junho pelo vigário-geral para a Diocese de Roma, Cardeal Camillo Ruini;- 2/04/2007 - dois anos após a morte, na Basílica de São João de latrão, em Roma, o Cardeal Camillo Ruini declarou concluída a primeira fase diocesana do processo de beatificação de João Paulo II, confiando os resultados à Congregação para as Causas dos Santos. Isso acontece através de uma cerimônia jurídico-processual durante o qual são lidos, em latim, as palavras para a passagem dos documentos, compostos por 130 testemunhos a favor e contra a beatificação, além da conclusão de teólogos e historiadores a respeito;- 1º/04/2009 - os relatos de possíveis milagres pela intercessão do Papa polonês sob avaliação da Congregação para as Causas dos Santos somam mais de 250;- 19/12/2009 - com um decreto assinado pelo Papa Bento XVI, são reconhecidas as virtudes heroicas e Wojtyla é proclamado venerável.O milagreA religiosa Marie Simon-Pierre Normand foi diagnosticada com Mal de Parkinson em 2001. Segundo o testemunho da freira, a cura pela intercessão do Pontífice aconteceu entre 2 e 3 de junho de 2005, quando ela tinha 44 anos.Com a notícia do falecimento de Woityła - também ele afetado pelo mesmo mal -, Irmã Marie e suas companheiras de Congregação começaram a invocar o falecido Pontífice para que intercedesse pela cura."Após o diagnóstico, era difícil para mim ver João Paulo II na televisão. Sentia-me, no entanto, muito próxima a ele na oração e sabia que podia compreender aquilo que ele vivia. Admirava também sua força e coragem, que me estimulavam a não me entregar e a amar este sofrimento. Somente o amor teria dado sentido a tudo isso. Era uma luta cotidiana, mas o meu único desejo era de vivê-la na fé e aderir com amor à vontade do Pai", testemunha Irmã Marie.Com o anúncio do falecimento de João Paulo, a freira diz que sentiu como se o mundo tivesse vindo abaixo."Havia perdido o amigo que me compreendia e me dava forças para seguir adiante. Naqueles dias, senti um grande vazio, mas tive também a certeza da Sua presença viva", relata.Em 14 de maio - um dia após a dispensa pontífice dos cinco anos de espera para o início da Causa -, as irmãs de todas as comunidades francesas e africanas começam a pedir incessantemente a intercessão de João Paulo II para a cura de Irmã Marie.Em 2 de junho de 2005, cansada e oprimida pela dor, a religiosa manifesta à Superiora a intenção de ser liberado do trabalho profissional, junto a um hospital, como enfermeira. No entanto, a Superiora convida-a a confiar na intercessão de João Paulo II. Irmã Marie passa uma noite tranquila e, ao despertar, se sente curada.As dores desaparecem e não sento nenhuma rigidez nas articulações. Era o dia 3 de junho de 2005, festa do Sagrado Coração de Jesus. Ao procurar seu médido, ele constata a cura."Hoje posso dizer que o amigo que deixou nossa terra está agora muito próximo de meu coração. Fez crescer em mim o desejo pela Adoração ao Santíssimo Sacramento e o amor à Eucaristia, que tem um lugar prioritário na minha vida diária. O que o Senhor me permitiu viver por intercessão de João Paulo II é um grande mistério, difícil de explicar em palavras ... mas nada é impossível para Deus", exclama.
Fonte: cancaonova.com/zenit.org

10 de janeiro de 2011

Verdade sobre a Igreja

Infelizmente muitos estudantes secundários e universitários têm uma visão deformada a respeito da Igreja Católica, sua vida e sua História. Isto tem muito a ver com a imagem negativa que muitos professores, especialmente História, lhes passam, o que gera nos estudantes uma aversão à Igreja desde os bancos escolares. Também a mídia, muitas vezes, cujos elementos foram formados nas mesmas universidades, é a causa de uma visão deturpada da Igreja. Há uma má vontade explícita contra a Igreja. Além disso há muitos mestres que se dizem ateus e querem forçar seus alunos a não acreditarem em Deus, como se a ciência fosse contra a fé, e como se um bom pesquisador não possa ser um crente em Deus.
O livro “
Código da Vinci”, e depois o filme de mesmo nome, por exemplo, sem provas históricas ou científicas, aumentaram em todo o mundo, ainda mais, esta visão de que a Igreja Católica é uma Instituição corrupta, perversa, que inventou a divindade de Cristo, e que sobre este mito criou uma Instituição poderosa e dominadora, e que a custa de sangue sempre se impôs ao mundo. Nada mais errado e perverso. É hora de os jovens estudantes conhecerem o outro lado dessa “História” que é mal contada nas escolas. Hoje lhes é apresentado apenas as “sombras” da vida da Igreja, mas há uma má vontade imensa que encobre as “luzes” brilhantes de sua História de 2000 anos. Uma bem montada propaganda laicista no mundo anti-Igreja Católica, envenena os jovens e os joga contra a ela.
Muitos jovens não sabem que foi a Igreja quem salvou e moldou a nossa rica
Civilização Ocidental da qual nos orgulhamos, onde se preza a liberdade, os direitos humanos, o respeito pela mulher e por cada pessoa. Sem o trabalho lento e paciente da Igreja durante cerca de dez séculos, após a queda do Império Romano (476) e a ameaça dos bárbaros, o Ocidente não seria o mesmo. Foi esta civilização moderna, gerada no bojo do Cristianismo que nos deu as ciências modernas, a saudável economia de livre mercado, a segurança das leis, a caridade como uma virtude, o esplendor da Arte, da Música, da Arquitetura, uma filosofia assentada na razão, a agricultura, as universidades, as maravilhosas Catedrais e muitos outros dons que nos fazem reconhecer em nossa Civilização a mais bela e poderosa civilização da História.
Foram os monges da Igreja que preservaram a herança literária do mundo Antigo após a queda de Roma diante dos bárbaros em 476. Reginald Grégoire (1985) afirma que os monges deram “a toda a Europa... uma rede de fábricas, centros de criação de gado, centros de educação, fervor espiritual, ... uma avançada civilização emergiu da onda caótica dos bárbaros”. Ele afirma que: “Sem dúvida alguma S. Bento (o mais importante arquiteto do monaquismo ocidental) foi o Pai da Europa. Os Beneditinos e seus filhos, foram os Pais da civilização Européia”.
E a responsável por tudo isto foi a Igreja Católica, diz o historiador americano Dr. Thomas Woods, PhD de Harvard, nos EUA. Ele afirma que: “Bem mais do que o povo hoje tem consciência, a Igreja Católica moldou o tipo de civilização em que vivemos e o tipo de pessoas que somos. Embora os livros textos típicos das faculdades não digam isto, a Igreja Católica foi a indispensável construtora da Civilização Ocidental. A Igreja Católica não só eliminou os costumes repugnantes do mundo antigo, como o infanticídio e os combates de gladiadores, mas, depois da queda de Roma, ela restaurou e construiu a civilização”.
Foi a Igreja quem humanizou o Ocidente insistindo na sociabilidade de cada pessoa humana. Mas infelizmente tudo isto é silenciado pelos que não gostam de Deus e da Igreja; por isso, é essencial recuperar esta verdade intencionalmente escondida e abafada. É dito aos jovens, mentirosamente, que a História da Igreja é uma história de ignorância, repressão, atraso e estagnação, quando a realidade é exatamente o contrário, como têm mostrado muitos historiadores modernos. Na verdade a Igreja soube aproveitar o que há de bom na civilização grega e romana, não as desprezou, e soube com os valores cristãos transformar a Europa bárbara num continente educado e desenvolvido.
É preciso saber distinguir entre a “Pessoa” da Igreja, fundada por Cristo, divina, santa, e as “pessoas” da Igreja que são seus filhos, santos e pecadores. Muito se exagera, por exemplo, sobre a
Inquisição e as Cruzadas; e se quer analisá-las fora do contexto da época. Isto é um absurdo histórico; ninguém pode entender um fato fora do seu contexto moral, social, psicológico, religioso, etc., da época. Um texto retirado do contexto se torna pretexto; e neste caso para se atacar, denegrir e tentar destruir a Igreja Católica, como se ela fosse vencível neste mundo.
Muitos, mal informados, pensam que centenas de anos antes da época do
Renascimento (séc.XVI), a Idade Média, foi um tempo de ignorância e repressão intelectual, sem brilho, como se fosse um tempo negro onde se imperou somente a superstição e a magia, como se em nome de Jesus Cristo, a ciência e o progresso fossem banidos. Nada mais errado. A Idade média cristã foi, na verdade, um tempo de grande desenvolvimento religioso, cultural e artístico.
Muitos historiadores de renome e atuais, como A.C. Crombie, David Lindberg, Edward Grant, Stanley Jaki, Thomas Goldstein, J. L. Heilbron, Rodney Stark, Alvin Schmidt, Robert Phillips, Kenneth Pennington, Daniel Rops, Joseph Needhem, Charles Montalembert, Joseph Mac Donnell, Phillip Hughes, David Knowles, William Lecky, Harold Broad, Michel Davies, Jean Gimpel e muitos outros, estão mostrando ao mundo a grande contribuição da Igreja para o desenvolvimento de nossa atual Civilização.
Muitos cientistas foram padres. Pe. Nicholas Steno, é considerado o “pai da geologia”; o padre Athanasius Keicher é o “pai da egiptologia”; o Pe. Giambattista Riccioli foi o primeiro a medir a taxa de aceleração de um corpo em queda livre. O Pe Rober Boscovitch é considerado o pai da moderna teoria atômica e foi o Pe. George Lamaitre quem descobriu o Big Bang. Os padres jesuítas se dedicavam tanto ao estudo dos terremotos que a sismologia veio a ser conhecida como a “ciência Jesuítica”. Trinta e cinco crateras da lua foram nomeadas por cientistas e matemáticos jesuítas. J. L. Heilbron (1999), da Universidade da Califórnia em Berkeley, disse que: “A Igreja Católica Romana deu mais suporte financeiro e social ao estudo da astronomia por mais de seis séculos do que qualquer outra instituição”. T. Woods afirma que “o verdadeiro papel da Igreja no desenvolvimento da ciência moderna permanece um dos mais bem guardados segredos da história moderna”.
Felipe Aquino
Professor, escritor e apresentador

8 de janeiro de 2011

Quando Ciência e Fé se encontram

Todos sabem que cada época tem seus heróis e seus monstros, suas verdades e suas mentiras. A grande mentira de hoje é que os cientistas são heróis que destruíram os monstros da religião. É a suposta vitória da racionalidade sobre a ignorância da superstição, especialmente a institucionalizada nas grandes religiões (leia-se aqui Igreja Católica). A caricatura desta vitória seria o caso Galileu. Mártir da sabedoria, ajoelhado perante o clero maligno na grande e opressora sala do Santo Ofício, de dentes serrados negando sua vitoriosa teoria heliocêntrica mas resistindo bravamente ao dizer “Eppur si muove” (e, no entanto, se move). Tudo falso, a terminar pela cena descrita, puro fruto da imaginação.
Basicamente três coisas podem acontecer quando ciência e fé se encontram: ódio, indiferença ou amor. Parece estranho falar de sentimentos para relacionar ciência e fé, mas é que não podemos esquecer que o encontro das duas acontece na nossa mente e, portanto, está condicionado às nossas maneiras de interpretação e sentimento. O caso da indiferença é simples. Julga-se que a fé é simplesmente um ato (necessário para o homem) de aceitação do desconhecido e que a ciência é a superação desta ignorância da realidade. Neste ponto de vista, ciência e fé são indiferentes uma à outra porque não se interceptam, como se diz na teoria matemática dos conjuntos. Os elementos que fazem parte do conjunto da fé deixam de pertencer-lhe e passam para o conjunto da ciência quando o homem consegue, através da técnica, dominar o desconhecido. É o que aconteceu, por exemplo, depois que passamos a compreender a nossa própria origem de modo científico. A descrição religiosa do livro do Gênesis passou a ser uma fábula. Para os adeptos da indiferença, a fé vai sendo naturalmente suplantada pela ciência e, inexoravelmente, irá tornar-se um conjunto vazio. Não há conflito porque este é um processo natural. Para mim esta é uma posição simplista que não considera as nuances do processo de deslocamento de um elemento do conjunto da fé para o conjunto da ciência e, mais ainda, ignora por completo que as explicações (tanto científicas quanto religiosas) são bem mais complicadas (e muitas vezes incompletas) do que parecem.
Os que defendem o ódio no encontro entre as duas, pensam de modo semelhante ao anterior. Para estes, no entanto, o conjunto da fé nunca se esvazia porque os religiosos não abrem mão das suas fábulas. Para eles, uma pessoa que tem fé prefere viver arraigada na ignorância do que se abrir à luz da razão. Há várias justificativas para esta atitude. A principal seria o medo. O conhecimento seria uma espécie de caminho de libertação e, abrindo mão de um único elemento do sagrado, precisariam necessariamente lançar-se totalmente ao desconhecido. Faltaria coragem. Embora incorreta, esta postura já é melhor do que a da indiferença. Eles estão certos ao dizerem que a fé nunca se torna um conjunto vazio, que o fato de explicar algo cientificamente não tira necessariamente este elemento do conjunto da fé. E isso acontece porque, como dissemos antes, as coisas não são “tão simples” assim. Erram muito, entretanto, ao considerar a fé como um ato de covardia. Se a fé é dar um passo no escuro, este é, antes de tudo, um ato de coragem! Longe de ser um comportamento puramente instintivo, de quem procura se libertar a qualquer custo das garras da ignorância, ter fé de lançar-se ao desconhecido é algo que transforma toda a vida e exige, portanto, valentia para assumir as consequências. Nem tampouco este passo é guiado pelo acaso. Pelo contrário, é dirigido e sustentando por toda uma vastidão de elementos que o balizam e apontam para uma direção certa e concreta.
No meu ponto de vista, a relação correta para o encontro entre ciência e fé é o amor. Existe uma relação de complementariedade, não de competição, entre as duas. Esta minha convicção não nasce de uma expectativa teórica mas sim, antes de tudo, de uma experiência prática, constante, de pessoa de ciência e de fé. Observando o comportamento religioso, percebemos claramente que ele nada mais é do que uma busca pela Verdade. Esta Verdade é algo que nos transcende e, como tal, é capaz de dar sentido para nossa existência e para nossa própria condição limitada. No cristianismo, esta Verdade nos é revelada por Deus. Nós não a construímos, antes a ganhamos. Claro que há uma busca, uma procura, mas o importante e fundamental é que Ela existe apesar de nós, nos precede e sua realidade não depende da nossa existência e nem mesmo da nossa consciência ou conhecimento dEla. Deus nos manifesta esta Verdade de várias formas. Sem dúvidas o fez através de Jesus, seu filho. O Verbo divino encarnado, Deus e homem verdadeiro. Outra forma, menos direta, é através da criação. Evidente que a criação não tem status de Verdade, mas certamente aponta para Ela, dando glória ao Criador.
É justamente aí, neste estudo do que a criação indica, que ocorre o harmonioso encontro entre ciência e fé. A questão da existência e significado da verdade aparece na física quando nos questionamos sobre a realidade de um modelo físico. São modelos físicos para a órbita dos planetas, por exemplo, os epiciclos de Ptolomeu (séc. II) ou as órbitas elípticas de Kepler (séc XVII). Os dois modelos tentam explicar a posição dos planetas no céu ao longo do tempo, mas se baseiam em trajetórias diferentes para os astros. Apesar de partirem de pressupostos completamente diferentes (no primeiro a Terra é o centro das órbitas enquanto no segundo o centro é o Sol), em muitos casos ambos preveem os mesmos resultados observacionais. Mas Kepler não deu a resposta final, pois três séculos mais tarde Einstein publicou a Teoria da Relatividade Geral e nos apresentou uma nova visão de como são os movimentos planetários. O conhecimento evoluiu, nos foi dada uma visão melhor de como é a natureza.
Através destas progressivas e contínuas melhorias do nosso conhecimento vamos tendo acesso a uma Verdade que nos transcende. Não é mera questão de descrição matemática, mas sim um verdadeiro processo de encontro com uma Verdade que existe independente de nós. Isso não é panteísmo, nesta busca não chega-se a conclusão de que a matéria é Deus. É uma busca realmente cristã, pois a criação é caminho para Deus. Nas palavras de Max Planck (1858-1947), precursor da Mecânica Quântica, “Para o físico, Deus está no ponto de chegada de toda sua reflexão”.
Matéria escrita para a Revista O Mensageiro de Santo Antônio.
Alexandre Zabot -Físico, mestre e doutorando em Astrofísica

7 de janeiro de 2011

Confraternização de Fim de Ano da Milícia da Imaculada




A Milícia da Imaculada da nossa paróquia celebrou na noite de 27 de Dezembro passado a confraternização entre os seus membros. O momento teve inicio com a oração conduzida por Lourdes Macêdo, em seguida o Pe. Jackson orientou a formação, espiritualidade e partilhas de vivências do grupo e sua atuação na paróquia no ano de 2010. Uma parte emocionante foi a troca de cartões entre os participantes. Também uma homenagem ao padre pelo seu sexto aniversário de ordenação sacerdotal. O encontro foi concluído com a oração final, o abraço da paz e a troca de votos de Feliz Ano Novo. À todos os membros da Milícia da Imaculada nossos parabéns pelo empenho na evangelização de nossa Paróquia e nossos votos de um 2011 na benção e na paz de Cristo!

6 de janeiro de 2011

Precisamos da Eucaristia para suportar a batalha

Quem recebe a Eucaristia recebe o Corpo do Senhor. É o Senhor permanecendo em nós, e nós, n'Ele. Quando comungamos, é a Pessoa inteira de Jesus que recebemos. É Jesus Ressuscitado com Seu Corpo glorioso. Entramos em comunhão com Suas chagas, que foram abertas por nós, para curar nossas feridas e as marcas que o pecado deixou em nós.Comungamos o Coração do Senhor, que amou e ainda ama cada um de nós: o mesmo Coração que foi perfurado pela lança.O Corpo de Jesus, presente na Eucaristia, vem atingir plenamente nosso ser.Quantas pessoas hoje sofrem de depressão, angústia, tensão e insônia, e dependem de remédios para dormir e viver com um pouco de tranquilidade. Malefícios que são consequência da tentação, que vem para destruir tudo em nossa vida.Para suportar a batalha espiritual, na qual estamos envolvidos, precisamos da Eucaristia.As dificuldades que temos experimentado na área da sexualidade, seja qual for o problema, são o "jogo sujo" do inimigo de Deus. Ele quer nos atingir naquilo em que somos mais frágeis: nossa sexualidade.Trazemos em nós o próprio poder criador de Deus: o homem fecunda e a mulher gera e dá à luz uma nova vida. É a sociedade entre Deus e a criatura humana que gera novos filhos. Mas o maligno se aproveita de nossa fragilidade nessa área nos tentando constantemente, para que usemos nossa sexualidade de forma totalmente desvirtuada.Somos carentes de amor, de afeto: não recebemos amor suficiente dos nossos pais. Não fomos valorizados por pessoas importantes para nós, na nossa casa, na escola. Logo, quando começamos a despertar para a vida afetiva, o que costumam nos oferecer é sexo, e não amor.Procuramos dar e receber amor, mas, muitas vezes, o que recebemos é sexo, e sexo sujo. Muitos rapazes e moças, meninos e meninas, já passaram por essa experiência, que é a origem de todo estrago.Para vencermos essa batalha em que o próprio tentador quer acabar conosco, destruindo-nos pela parte mais fraca, precisamos da Eucaristia. A nossa força, o nosso alimento, o nosso remédio será a Eucaristia. Ela é o próprio Corpo do Senhor, dado ao nosso corpo ferido pelo pecado.
Monsenhor Jonas Abib