4 de fevereiro de 2011

Casamento é bom para saúde física e mental, diz pesquisa

Os casados podem ter uma boa razão para se sentirem satisfeitos. Especialistas confirmam que relacionamentos duradouros e seguros são bons para a saúde física e mental, e as vantagens podem aumentar com o passar do tempo.

Em um editorial publicado, David e João Gallacher, da Universidade de Cardiff, afirmam que, em média, as pessoas casadas vivem mais e que as mulheres em relacionamentos estáveis têm uma melhor saúde mental, enquanto que os homens em relações comprometidas têm uma melhor saúde física. Os pesquisadores concluem que "provavelmente vale a pena fazer o esforço".
A saúde física dos homens tende a melhorar por causa da influência positiva sobre seu estilo de vida e "a gratificação mental para as mulheres pode ser devido a uma maior ênfase na importância das relações", escrevem eles.
Mas o caminho para o verdadeiro amor nem sempre funcionam bem, ressaltam os autores das pesquisa, ao apontarem as evidências de que as relações na adolescência são associados com aumento de sintomas depressivos nesta fase da vida.
Além disso, os especialistas apontam, que pessoas solteiras podem ter uma melhor saúde mental do que aquelas em relações tensas. Eles também confirmam ainda a dificuldade em terminar um relacionamento: "sair de um relacionamento é preocupante", além de enfatizarem que o divórcio pode ter um impacto devastador sobre os indivíduos, como a possibilidade da separação estar ligada com risco de morte precoce para algumas pessoas.

Eles concluem que, apesar de falhas no relacionamento prejudicarem a saúde, esta não é uma razão para evitá-lo. Um bom relacionamento vai melhorar a saúde física e mental e, talvez, a única coisa a fazer é tentar evitar as falhas do relacionamento e não evitar de entrar nele.

Informações da Science Daily


31 de janeiro de 2011

Papa pede orações pelo respeito à família

Para este mês de fevereiro, o Papa pede aos fiéis que rezem para que se respeite a família e se reconheça seu papel na sociedade.
Essa é a proposta feita nas intenções de oração para o segundo mês do ano, contidas na carta pontifícia confiada ao Apostolado da Oração, iniciativa que envolve cerca de 50 milhões de pessoas nos cinco continentes.
“Para que a família seja respeitada por todos em sua identidade e seja reconhecida a sua insubstituível contribuição em favor de toda a sociedade”, diz a intenção geral.
Todo mês, o Papa propõe também uma intenção missionária. A de fevereiro diz: “Para que nos territórios de missão onde a luta às doenças é mais urgente, as comunidades cristãs saibam testemunhar a presença de Cristo ao lado dos que sofrem”.

10 CURIOSIDADES SOBRE A BÍBLIA.

1. O que significa a palavra Bíblia?

Bíblia é uma palavra de origem grega e indica o conjunto de muitos livros. De fato, a Bíblia é uma biblioteca com vários livros de diferentes épocas, autores e estilos literários.

2. Quantos são os livros da Bíblia?

A Bíblia tem um total de 73 livros.

O Antigo Testamento (ou Primeiro Testamento) contém 46 livros.

O Novo Testamento contém 27 livros.

3. Existe diferença entre a Bíblia protestante e a Bíblia da edição católica?

Sim, a Bíblia protestante tem 7 livros a menos em relação a edição da Biblía Católica. O Novo Testamento é igual para todos, a diferença esta no Antigo Testamento. Estes livros são: Tobias, Judite, 1º e 2º Livro dos Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, que são da tradução grega, também chamada Tradução dos Setenta.

4. A Bíblia já foi escrita com capítulos numerados, como temos hoje?

Não. Nenhum livro da Bíblia foi escrito com capítulos numerados. Quem teve a idéia de dividir a Bíblia em capítulos foi Estevão Langton, arcebispo de Cantuária, professor na Universidade de Paris, em 1214 d.C.

5. Quem fez a divisão em versículos?

Em 1551 Robert Etiene, redator e editor em Paris, fez a experiência dividindo o NT de língua grega em versículos.

Teodoro de Beza gostou da idéia e em 1565 dividiu toda a Bíblia em versículos.

Estas divisões em capítulos e versículos foram feitas para facilitar as citações bíblicas e encontrar mais rápido os textos citados.

6. Como se encontram as citações bíblicas?

Na citação, capítulo é o número que vem antes da vírgula, e versículo é o número que vem depois da vírgula indicando onde começa e onde termina o texto escolhido.

Exemplo: Gn 11,1-9, isto significa que você deve procurar o livro do Gênesis capítulo 11, versículos de 1 a 9.

Na Bíblia os capítulos são os números grandes e os versículos são os números pequenos.

Repare também, a abreviatura indica o nome do livro, por exemplo, Gn = Gênesis. Toda Bíblia traz no início uma relação dos livros com suas abreviaturas.

7. Quem traduziu pela primeira vez toda a Bíblia e quando ela foi impressa assim como temos hoje?

A primeira tradução, e a mais famosa, da Bíblia para o latim é a de São Jerônimo, conhecida como Vulgata (do latim = a divulgada). Isto aconteceu por volta do ano 400 d.C., a pedido do Papa Damaso. Na verdade, a primeira tradução da Bíblia foi a tradução da Bíblia hebraica (dos judeus) para o grego, conhecida como tradução dos LXX (70), muito usada na época de Jesus e das primeiras comunidades cristãs.

8. E antes de surgir a imprensa, como a Bíblia se apresentava?

De diversas formas: em pedados de papel vegetal, em rolos de pergaminhos (couro de animal), em papiro (espécie de papel vegetal) e em “folhas”.

9. Qual o significado das palavras exegese e hermenêutica?

A palavra “exegese” é um termo grego para explicar o trabalho que fazem os estudiosos na análise de um texto bíblico. Significa “tirar de dentro” tudo o que o texto diz.

A palavra “hermenêutica” também é uma palavra de origem grega e significa o trabalho de encontrar a mensagem que está escondida por trás das palavras e aplicá-la ao hoje.

10. Como a Bíblia chegou até nós?

A Bíblia antes de ser escrita foi vivida.

A Bíblia começou a ser escrita durante o reinado de Salomão, por volta de 950 a.C. O Antigo (ou Primeiro) Testamento ficou pronto por volta de 50 a.C., e o Novo Testamento no final do primeiro século.

São João Bosco

Nasceu perto de Turim, na Itália, em 1815. Muito cedo conheceu o que significava a palavra sofrimento, pois perdeu o pai tendo apenas 2 anos. Sofreu incompreensões por causa de um irmão muito violento que teve. Dom Bosco quis ser sacerdote, mas sua mãe o alertava: “Se você quer ser padre para ser rico, eu não vou visitá-lo, porque nasci na pobreza e quero morrer nela”.

Logo, Dom Bosco foi crescendo diante do testemunho de sua mãe Margarida, uma mulher de oração e discernimento. Ele teve que sair muito cedo de casa, mas aquele seu desejo de ser padre o acompanhou. Com 26 anos de idade, ele recebeu a graça da ordenação sacerdotal. Um homem carismático, Dom Bosco sofreu. Desde cedo, ele foi visitado por sonhos proféticos que só vieram a se realizar ao longo dos anos. Um homem sensível, de caridade com os jovens, se fez tudo para todos. Dom Bosco foi ao encontro da necessidade e da realidade daqueles jovens que não tinham onde viver, necessitavam de uma nova evangelização, de acolhimento. Um sacerdote corajoso, mas muito incompreendido. Foi chamado de louco por muitos devido à sua ousadia e à sua docilidade ao Divino Espírito Santo.

Dom Bosco, criador dos oratórios. Catequeses e orientações profissionais foram surgindo para os jovens. Enfim, Dom Bosco era um homem voltado para o céu e, por isso, enraizado com o sofrimento humano, especialmente, dos jovens. Grande devoto da Santíssima Virgem Auxiliadora, foi um homem de trabalho e oração. Exemplo para os jovens, foi pai e mestre, como encontramos citado na liturgia de hoje. São João Bosco foi modelo, mas também soube observar tantos outros exemplos. Fundou a Congregação dos Salesianos dedicada à proteção de São Francisco de Sales, que foi o santo da mansidão. Isso que Dom Bosco foi também para aqueles jovens e para muitos, inclusive aqueles que não o compreendiam.

Para todos nós, é um grande intercessor, porque viveu a intimidade com Nosso Senhor. Homem orante, de um trabalho santificado, em tudo viveu a inspiração de Deus. Deixou um grande exemplo de como viver na graça, fiel a Nosso Senhor Jesus Cristo.

Em 31 de janeiro de 1888, tendo se desgastado por amor a Deus e pela salvação das almas, ele partiu. Mas está conosco no seu testemunho e na sua intercessão.

São João Bosco, rogai por nós!

28 de janeiro de 2011

Igreja Católica: Mãe das Universidades

Os estudantes universitários normalmente têm um conhecimento pouco profundo sobre a Idade Média; e porque muitos são mal informados, acham que foi um período de ignorância, superstição e repressão intelectual por parte da Igreja católica. No entanto, foi exatamente na Idade Média que surgiu a maior contribuição intelectual para o mundo: o sistema universitário.

A universidade foi um fenômeno totalmente novo na história da Europa. Nada como ele existiu no mundo grego ou romano afirmam os historiadores.


O ensino superior na Idade Média era ministrado por iniciativa da Igreja. A Universidade medieval não tem precedentes históricos; no mundo grego houve escolas públicas, mas todas isoladas. No período greco-romano cada filósofo e cada mestre de ciências tinham "sua escola", o que implicava justamente no contrário de uma Universidade. Esta surgiu na Idade Média, pelas mãos da Igreja Católica, e reunia mestres e discípulos de várias nações, os quais constituíam poderosos centros de saber e de erudição. Por volta de 1100, no meio de uma grande fermentação intelectual, começam as surgir as Universidades; o orgulho da Idade Média cristã, irmãs das Catedrais. A sua aparição é um marco na história da civilização Ocidental que nenhum historiador tem coragem de negar. Elas nasceram às sombras das Catedrais e dos mosteiros. Logo receberam o apoio das autoridades da Igreja e dos Papas. Assim, diz Daniel Rops, "a Igreja passou a ser a matriz de onde saiu a Universidade" (A Igreja das Catedrais e das Cruzadas, pág. 345).


Tudo isso nesta bela época que alguns teimam em chamar maldosamente de "obscura" Idade Média. A razão e a fé sempre caminharam juntas na Igreja.


A raiz das Universidades esta no século IX com as escolas monásticas da Europa, especialmente para a formação dos monges, mas que recebiam também estudantes externos. Depois, no século XI surgiram as escolas episcopais; fundadas pelos bispos, os Centros de Educação nas cidades, perto das Catedrais. No século XII surgiram centros docentes debaixo da proteção dos Papas e Reis católicos, para onde acorriam estudantes de toda Europa.


A primeira Universidade do mundo Ocidental foi a de Bolonha (1158), na Itália, que teve a sua origem na fusão da escola episcopal com a escola monacal camaldulense de São Félix. Em 1200 Bolonha tinha dez mil estudantes (italianos, lombardos, francos, normandos, provençais, espanhóis, catalães, ingleses germanos, etc.). A segunda, e que teve maior fama foi a Universidade de Paris, a Sorbone, que surgiu da escola episcopal da Catedral de Notre Dame. Foi fundada pelo confessor de S. Luiz IX, rei de França, Sorbon. Ali foram estudar muitos grandes santos como Santo Inácio de Loyola, São Francisco Xavier e São Tomás de Aquino. A universidade de Paris (Sorbonne) era chamada de "Nova Atenas" ou o "Concílio perpétuo das Gálias", por ser especialmente voltada à teologia.


O documento mais antigo que contém a palavra "Universitas" utilizada para um centro de estudo é uma carta do Papa Inocêncio III ao "Estúdio Geral de Paris". A universidade de Oxford, na Inglaterra surgiu de uma escola monacal organizada como universidade por estudantes da Sorbone de Paris. Foi apoiada pelo Papa Inocêncio IV (1243-1254) em 1254.


Salamanca é a Universidade mais antiga da Espanha das que ainda existem, fundada pela Igreja; seu lema é "Quod natura non dat, Salmantica non praestat" (O que a natureza não nos dá, Salamanca não acrescenta". Entre as universidades mais antigas está a de Santiago de Compostela. A cidade foi um foco de cultura desde 1100 graças ao prestígio de sua escola capitular que era um centro de formação de clérigos vinculados à Catedral. A Universidade de Valladolid é anterior à de Compostela já que em 1346 obteve do papa Clemente VI a concessão de todas as faculdades, exceto a de Teología. Em 1499 o Cardeal Cisneros fundou a famosa universidade "Complutense" mediante a Bula Pontifícia concedida pelo Papa Alexandre VI. Nos anos de 1509-1510 já funcionavam cinco Faculdades: Artes e Filosofía, Teología, Direito Canônico , Letras e Medicina.

Até 1440 foram erigidas na Europa 55 Universidades e 12 Institutos de ensino superior, onde se ministravam cursos de Direito, Medicina, Línguas, Artes, Ciências, Filosofia e Teologia. Todos fundados pela Igreja. O Papa Clemente V (1305-1314) no Concílio universal de Viena em 1311, mandou que se instaurassem nas escolas superiores cursos de línguas orientais (hebreu, caldeu, árabe, armênio, etc.), o que em breve foi feito também em Paris, Bolonha, Oxford, Salamanca e Roma.

A atual Universidade de Roma, La Sapienza - onde tristemente estudantes e professores impediram o Papa Bento XVI de proferir a aula inaugural em 2008 - foi fundada há sete séculos, em 1303, pelo Papa Bonifácio VIII (1294-1303), com o nome de "Studium Urbis".


Das 75 Universidades criadas de 1500, 47 receberam a Bula papal de fundação, enquanto muitas outras, que surgiram espontaneamente ou por decisão do poder secular, receberam em seguida a confirmação pontifícia, com a concessão da Faculdade de Teologia ou de Direito Canônico. (Sodano, 2004).


As universidades atraíam multidões de estudantes, da Alemanha, Itália, Síria, Armênia e Egito. Vinham para a de Paris chegavam a 4000, cerca de 10% da população.


Só na França havia uma dezena de universidades: Montepellier (1125), Orleans (1200), Toulouse (1217), Anger (1220), Gray, Pont-à-Mousson, Lyon, Parmiers, Norbonne e Cabors. Na Itália: Salerno (1220), Bolonha (1111), Pádua, Nápoles e Palerno. Na Inglaterra: Oxford (1214), nascida das Abadias de Santa Frideswide e de Oxevey, Cambridge. Além de Praga na Boêmia, Cracóvia (1362), Viena (1366), Heidelberg (1386). Na Espanha: Salamanca e Portugal, Coimbra. Todas fundadas pela Igreja. Como dizer que a Idade Média cristã foi uma longa "noite escura" no tempo? As universidades medievais foram centros de intensa vida intelectual, onde os grandes homens se enfrentavam em discussões apaixonadas nos grandes problemas. E a fé era o fermento que fazia a cultura crescer.


Graças ao latim todos se entendiam, era a língua universal e acadêmica; esta permitia aos sábios comunicar-se de um ponto a outro da Europa Ocidental. Havia uma unidade interna e de obediência aos mesmos princípios; era o reflexo de uma civilização vigorosa, segura de sua força e de si mesma.


A partir de 1250 o grego foi ensinado nas escolas dominicanas e, a partir de 1312 nas universidades de Sorbonne, Oxford, Bolonha e Salamanca. Abria-se assim um novo campo ao pensamento que desencadeou uma onda de paixão filosófica no nascimento da Escolástica-teologia e filosofia unidas para provar uma proposição de fé.


Santo Agostinho, Cassidoro, Santo Isidoro de Sevilha, Rábano Mauro e Alamino, os grandes mestres da Antigüidade, se apoiavam sobretudo nas Sagradas Escrituras. Agora o intelectual cristão da Idade Média quer demonstrar que os dogmas estão de acordo com a razão e que são verdadeiros. É a "teologia especulativa", onde a filosofia é amiga da teologia. Os problemas do mundo são estudados agora sob esta dupla ótica.


A Universidade medieval era um mundo turbulento e cosmopolita; os estudantes de Paris estavam repartidos em quatro nações: os Picardos, os Ingleses, os Alemães e os Franceses. Os professores também vinham de diversas partes do mundo: havia Sigério de Brabante (Bélgica), João de Salisbury (Inglaterra), S. Alberto Magno (Renânia), S. Tomás de Aquino e São Boaventua da Itália.


Os problemas que apaixonavam os filósofos, eram os mesmos em Paris, em Oxford, em Edimburgo, em Colônia ou em Pavia. O mundo estudantil era também um mundo itinerante: os jovens saiam de casa para alcançar a Universidade de sua escolha; voltavam para sua terra nas festas. O sistema universitário que temos hoje com cursos de graduação, pós-graduação, faculdades, exames e graus veio diretamente do mundo medieval.


Os papas sabiam bem da importância das universidades nascentes para a Igreja e para o mundo, e por isso intervinham em sua defesa muitas vezes. O Papa Honório III (1216-1227) defendeu os estudantes de Bolonha em 1220 contra as restrições de suas liberdades. O Papa Inocêncio III (1198-1216) interveio quando o chanceler de Paris insistiu em um juramento à sua personalidade. O Papa Gregório IX (1227-1241) publicou a Bula "Parens Scientiarum" em nome dos mestres de Paris, onde garantiu à Universidade de Paris (Sorbonne) o direito de se auto-governar, podendo fazer suas leis em relação aos cursos e estudos, e dando à Universidade uma jurisdição papal, emancipando-a da interferência da diocese.


O papado foi considerado a maior força para a autonomia da Universidade, segundo A. Colban (1975). Era comum as universidades trazerem suas queixas ao Papa em Roma. Muitas vezes o Papa interveio para que as universidades pagassem os salários dos professores; Bonifácio VIII (1294-1303), Clemente V (1305-1314), Clemente VI (1342-1352), e Gregório XI (1370-1378) fizeram isso. "Na universidade e em outras partes, nenhuma outra instituição fez mais para promover o saber do que a Igreja Católica", garante Thomas Woods( pg. 51).


O processo para se adquirir a licença para ensinar era difícil. Para se ter idéia da solenidade e importância do ato, basta dizer que a pessoa para ser licenciada se ajoelhava diante do Vice-chanceler, que dizia:


"Pela autoridade dos Apóstolos Pedro-Paulo, dou-lhe a licença de ensinar, fazer palestras, escrever, participar de discussões... e exercer outros atos do magistério, ambos na Faculdade de Artes em Paris e outros lugares, em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém" [Daly, 1961; pg 135].


Uma riqueza da universidade medieval é que era atenta às finalidades sociais. Não se aceitava a idéia de uma cultura desinteressada, ou um saber exclusivamente para seu próprio benefício pessoal. "Deve-se aprender apenas para a própria edificação ou para ser útil aos outros; o saber pelo saber é apenas uma vergonhosa curiosidade", já havia dito São Bernardo (1090-1153).


Para Inocêncio IV (1243-1254) a Universidade era o "Rio da ciência que rege e fecunda o solo da Igreja universal", e Alexandre IV (1254-1261) a chamava de: "Luzeiro que resplandece na Casa de Deus" (Daniel Rops, pg.348). Portanto, são maldosos ou ignorantes da História aqueles que insistem em se referir à Idade Média e à Igreja como promotoras da inimizade à Ciência e perseguidora dos cientistas.

Prof. Felipe Aquino

20 de janeiro de 2011

Dia de São Sebastião

No dia de hoje a Igreja celebra São Sebastião, martir. Em nossa Diocese muitas paróquias o tem como padroeiro; de modo especial nos unimos a vizinha paróquia de Aguiar e suplicamos a intercessão deste santo sobre todo o povo e imitemos sua coragem em testemunhar Jesus, o principe da paz!
São Sebastião, rogai por nós!

Destino existe? - (Parte 2)

Consequências imediatas
De tais premissas seguem-se conclusões importantes :
1) Os despachos e trabalhos das religiões afro-brasileiras nada podem fazer contra quem quer que seja; carecem de eficácia ou de força mágica. Verdade é que vários fiéis católicos se afligem, porque sabem que alguém ou algum adversário está fazendo despachos contra essas pessoas, e vão procurar a Igreja para pedir um exorcismo. Há também quem se julgue desgraçado por causa de um "trabalho" de Umbanda e vá solicitar um exorcismo na Igreja. Ora tal pensar e agir é errôneo; não existem exus e orixás, de modo que são totalmente ineficazes as oferendas de galinha preta, farofa, cachaça, charutos (...), que se lhes façam; nenhuma entidade do além acode a essas oferendas. O demônio, que a Escritura e a fé católica reconhece, não é exu nem orixá; é um anjo que Deus criou bom e que se perverteu pelo pecado de soberba; recebe agora a autorização de Deus para tentar o homem e levá-lo ao pecado, se a pessoa tentada consentir nas sugestões do Maligno; o que Satanás quer, é o pecado; não lhe importam a galinha preta, a farofa, a cachaça e os charutos oferecidos aos pretensos orixás. Por conseguinte, nenhum despacho de macumba causa desemprego, destruição de casamento, doença (...), a não ser que a pessoa alvejada pelo despacho creia que este é eficaz; se o crê, sugestiona-se, julga-se condenada a um infortúnio e, insegura, pode-se precipitar numa desgraça ou deixar-se envolver num acidente; em tal caso, a eficácia não é do despacho, mas da sugestão (...) sugestão que a pessoa concebe por imaginar que o despacho é eficaz.
2) Nenhum objeto de superstição faz bem ou mal a alguém. Daí se segue que o cristão não dá crédito a figas, bentinhos, amuletos ... Estes podem desencadear a sugestão, sim, que é eficaz, como dito, mas eficaz por causa de uma atitude subjetiva, sem fundamento objetivo ou real.
3) O cristão não crê em horóscopo, como se os astros definissem o futuro do homem. Verdade é que, desde épocas antigas, os homens imaginaram estar sujeitos ao poder dos astros, tão belos e pujantes parecem. Os antigos escritores da Igreja relutaram contra tal concepção, remanescentes entre os fiéis cristãos. Podem os astros, em alguns casos, influir sobre o físico e o psíquico do homem, causando reações psicossomáticas (melancolia, júbilo, depressão ...), o que não significa traçar o futuro do homem.
4) O cristão também não crê em cadeias de oração, ou seja, em preces que é preciso copiar umas tantas vezes e passar adiante sob pena de sofrer alguma desgraça, caso não o faça, ou com a perspectiva de receber algum benefício, desde que o execute. Não há fundamento algum para crer no valor de tais correntes de oração; vêm a ser uma contratação da verdadeira oração, esta é um recurso filial a Deus, que vale pela fé, o amor e a humildade com que a criatura reza ao Pai do céu.
5) O cristão também não aceita a "mística dos números", segundo a qual alguns números são portadores de boa sorte e outros são de mau agouro. Nem o número 13 é mau, nem o número 666 ... Ver Curso sobre Ocultismo da Escola Mater Ecclesiae, Módulo 20.
6) Em suma, o cristão não crê que as coisas acontecem porque Deus as decretou cegamente, sufocando a liberdade do homem. Deus sabe tudo o que acontecerá no futuro, pois Ele nada pode ignorar. É de notar, porém, que preciência não é predefinição ditatorial; Deus prevê que os homens livremente farão tais e tais coisas; paralelamente alguém, a partir de uma janela, pode prever que dois carros se chocarão entre si; pode ter certeza disto, sem ser causa do desastre.
O Cristianismo repudia o Fato ou o Destino, conceito mitológico, e, em seu lugar, professa a Providência Divina.
A PROVIDÊNCIA DIVINA
A Providência Divina se define como a ação pela qual Deus se dispõe a levar todas as criaturas para o seu fim devido; Deus não abandona a criatura depois de lhe ter dado existência, mas, tendo-a criado em vista de uma finalidade sábia e grandiosa, provê aos meios para que cada criatura possa atingir a sua meta (sem destruição da liberdade de arbítrio, no caso das criaturas intelectivas); essa meta é a manifestação da bondade, da sabedoria e da santidade de Deus.
A S. Escritura acentua essa ação providencial de Deus em muitas passagens; é Ele quem dá a chuva, os frutos e o alimento no momento oportuno (Jr 5,24; Dt 11,45s; Sl 144,15); é Ele quem dá o dia, a noite, as estações (Sl 73 (74), 16s; 135 (136), 8s); aos pássaros do céu e aos lírios do campo Ele fornece o sustento necessário (cf. Mt 6, 25-34; Lc 12, 22-31). Especialmente para com o homem é solícito, de tal modo que todos os cabelos da sua cabeça estão contados (cf. Mt 10, 29-31).
A Providência Divina, por abarcar toda a história da humanidade, vê mais amplamente do que a mesquinha mente humana. Por isto Ela nem sempre coincide com o modo de pensar da criatura. Há mesmo os silêncios de Deus ou os momentos em que Ele parece ausente da história dos homens; todavia a Escritura mostra como também essas fases obscuras são acompanhadas pela Sabedoria Divina; é o que vem à baila muito claramente na história do Patriarca vendido a estrangeiros por seus irmãos invejosos; no fim de tão trágica história diz José: "Eu sou José, vosso irmão, que vendestes para o Egito. Mas agora não vos entristeçais nem vos aflijais por me terdes vendido, porque foi para preservar vossa vida que Deus me enviou diante de vós ... Não fostes vós que me enviastes para cá, mas Deus, e Ele me estabeleceu como pai para o Faraó, como governador de todas as regiões do Egito" (Gn 45,4s, 7s). Os livros de Rute, Judite, Ester, Daniel ... são outrossim eloqüentes testemunhos da ação providencial de Deus em favor dos seus fiéis. Ele sabe tirar dos males bens maiores; o que, os olhos dos homens, parece desastre final. Ele o converte em ponto de partida para o derramamento de novas graças. O Novo Testamento insiste em que o cristão se deve configurar a Cristo mediante a cruz, para participar também da ressurreição; nessa trajetória ele é acompanhado pelo sábio desígnio do Pai; cf. Mt 10, 24-31. Tenha confiança filial (Rm 8, 28-32).
A propósito vem a temática da oração. Esta, não raro, é tida como instrumento apto a dobrar a vontade de Deus; nisto há um antropomorfismo. A vontade de Deus é imutável. - Então qual o papel da oração, que o Senhor Jesus tanto recomendou ? Cf. Lc 11, 9-13. Ei-lo: desde toda a eternidade, Deus decretou dar às suas criaturas os bens de que precisam; as criaturas irracionais recebem-nos inconscientemente, o homem, porém, dotado de inteligência e vontade, deve recebê-los conscientemente. Para tanto, o orante sugere a Deus os bens que lhe parecem oportunos para que atinja a sua finalidade suprema; sugere mesmo o pão de cada dia, a saúde, o emprego ..., tudo que seja honesto e pareça condizer com a autêntica meta do homem; assim este colabora com o plano da Providência Divina, que quer dar ao homem ..., mas quer dar mediante a oração. Pela oração não é o homem que rebaixa Deus ao plano da sua sábia Providência. Assim entendida, nenhuma oração é inútil; desde que realizada em união com Cristo, que dizia: "Pai, se possível, passe este cálice; mas faça-se a tua vontade, e não a minha" (Mc 14,26), a oração encontra sempre resposta; se o Pai não nos dá aquilo que, na nossa simplicidade, lhe sugerimos, dá-nos algo de equivalente ou melhor.
Dito isto, põe-se a questão: e o mal produzido pelas criaturas recai sobre Deus? Então não seria Deus responsável pelas falhas das criaturas ? - Em resposta, lembremos que o mal não é um ser positivo, mas uma carência; é a falta de um ser que deveria existir: a cegueira é a falta de olhos, o pecado é a falta de harmonia do agir humano com o seu Fim Supremo. Ora a carência não tem causa direta; indiretamente, ela é causada pela criatura, que é capaz de agir inacabadamente. Deus não pode agir imperfeitamente.
E por que permite Deus que as criaturas exerçam suas deficiências ? Porque não as quer forçar nem violentar, Ele sabe, porém, utilizar até o mal das criaturas, para produzir bens maiores, como observa S. Agostinho: "Deus onipotente (...), sendo sumamente bom, não deixaria mal algum em sua obra, se não fosse tão poderoso e bom que pudesse tirar até do mal o bem" (...). "Ele julgou melhor tirar dos males o bem do que não permitir que mal algum viesse a existir" (Enquiridio, cap. 11 e 27).
JESUS CRISTO, O DESTINO E AS CRENDICES
Em complemento, publicamos um texto de Roger Garaudy, ex-comunista que se aproximou do Cristianismo, e, em sua fase de aproximação, escreveu a respeito de Jesus Cristo, pondo em evidência a superação dos mitos e das crendices por parte do Senhor Jesus e de sua mensagem:
PARA VOCÊ, QUEM É JESUS CRISTO ?
"Mais ou menos sob o governo de Tibério, ninguém sabe exatamente onde nem quando, alguém cujo nome nos é conhecido, dilatou os horizontes dos homens ...
Por certo, Jesus não foi nem um filósofo nem um tribuno, mas viveu de tal modo que toda a sua vida teve um significado ... Para proclamar até o fim a boa-nova, era preciso que ele mesmo, mediante a sua ressurreição, anunciasse que todos os limites, mesmo o limite supremo, a morte, foram vencidos.
Este ou aquele erudito poderá contestar todos os feitos da existência de Cristo; mas isto não altera a certeza de que ele mudou a vida. Acendeu-se um braseiro. Esta é a prova de que havia uma centelha ou uma chama que fez surgir esse braseiro.
Todas as filosofias até Cristo meditavam sobre o destino e as forças cegas que regem o homem. Jesus Cristo mostrou a loucura dessas filosofias. Ele, que foi o contrário do destino. Ele, que foi a liberdade, a criação, a vida. Ele que removeu o fatalismo da história.
Jesus Cristo realizou as promessas dos heróis e dos mártires, que lutaram pelo grande despertar da liberdade. Ele cumpriu não apenas as esperanças do profeta Isaías ou as iras de Ezequiel. Jesus libertou Prometeu das suas cadeias e Antígono dos muros de seu cárcere. Essas cadeias e esses muros eram imagens mitológicas do destino; elas caíram diante de Cristo e se pulverizaram. Todos os deuses morreram então, e o homem começou a viver. Deu-se como que um novo nascimento do homem. Olho para a cruz que é o símbolo disso tudo, e penso em todos aqueles que alargaram os braços da cruz. Penso em São João da Cruz, que, pelo fato mesmo de nada possuir, nos ensina a descobrir o tudo. Penso em karl Marx, que nos mostrou como se pode transformar o mundo. Penso em Van Gogh e em todos aqueles que nos fizeram tomar consciência de que o homem é grande demais para bastar a si mesmo.
Vós, homens da Igreja, que guardais escondida a grande esperança que Constantino nos roubou, devolvei-nos essa esperança! A vida e a morte de Cristo pertencem também a nós, a todos aqueles para quem elas têm sentido. Pertencem a nós que aprendemos de Cristo que o homem foi criado criador (...)".
Revista: "PERGUNTE E RESPONDEREMOS"
D. Estevão Bettencourt, osb
Nº 411 - Ano : 1996 - p. 343